
Desde a infância, Pedro viajou e viveu em diferentes países. No final da adolescência descobriu a fotografia. Desde então, nunca mais a largou. Frequentou a Ar.Co, onde estudou Fotografia, e complementou a sua formação com um treino prolongado com fotógrafos de renome internacional, como Greg Gorman, Arthur Meyerson e Joyce Tenneson, entre outros.
É co-fundador, produtor e programador do Analógica – Festival de Fotografia, na Chamusca, actualmente na sua quinta edição, projecto dedicado à fotografia analógica, aos processos históricos e às práticas contemporâneas ligadas ao tempo e à materialidade da imagem.
Coordenou os projectos que trouxeram pela primeira vez a Portugal fotógrafos como Steve McCurry e David Alan Harvey. Participou em várias exposições colectivas e individuais desde o final da década de 1990.
Numa era de apoteose digital e de acessibilidade total à fotografia, na qual todas as imagens existem a partir de um clique, Pedro regressa às origens do gesto fotográfico. O cansaço do instantâneo conduziu-o à criação de imagens que não são acessíveis ao equipamento digital actual.
O seu trabalho refere-se a ideias como o silêncio, a perpetuidade e a perenidade. Utiliza a câmara pinhole como dispositivo de captura de imagem. Os longos tempos de exposição que este tipo de equipamento requer resultam não numa representação da realidade, mas num conjunto de momentos condensados numa só imagem.
O fotógrafo é ultrapassado pelo tempo e, ao mesmo tempo, mantém a autoria da imagem, uma vez que foi sua a decisão do local, da hora e do equipamento a utilizar. O resultado final não depende dele, mas começou com ele e, como tal, pertence-lhe.
A incapacidade da câmara pinhole de criar instantâneos confirma o que Roland Barthes afirma: a fotografia não é uma cópia da realidade, mas remete para a realidade. As imagens de Pedro Dantas dos Reis reflectem exactamente isso.
BIO (Eng)
Since childhood, Pedro has travelled and lived in different countries. In his late teens he discovered photography. Since then, he has never let it go. He studied Photography at Ar.Co and complemented his education with extended training with internationally renowned photographers such as Greg Gorman, Arthur Meyerson and Joyce Tenneson, among others.
He is co-founder, producer and programmer of Analógica – Photography Festival, in Chamusca, currently in its fifth edition, a project dedicated to analogue photography, historical processes and contemporary practices related to time and the materiality of the image.
He coordinated the projects that brought photographers such as Steve McCurry and David Alan Harvey to Portugal for the first time. He has taken part in several group and solo exhibitions since the late 1990s.
In an era of digital apotheosis and total accessibility to photography, in which all images exist at the click of a button, Pedro returns to the origins of the photographic act. Fatigue with the snapshot led him there and to the creation of images that are not accessible to current digital equipment.
His work refers to ideas such as silence, perpetuity and permanence. He uses the pinhole camera as an image capture device. The long exposure times required by this type of equipment result not in a representation of reality, but in a set of moments condensed into a single image.
The photographer is overtaken by time and, at the same time, retains authorship of the image, since it was his decision of place, time and equipment. The final result does not depend on him, but it began with him and therefore belongs to him.
The inability of the pinhole camera to create snapshots confirms what Roland Barthes states: photography is not a copy of reality, but refers to reality. The images of Pedro Dantas dos Reis reflect exactly that.